domingo, 8 de maio de 2011

Quando estou fraca, acordo com uma mensagem bonita. Fecho os olhos, e respiro um bocadinho melhor. Está muito escuro. Volto a ler a mensagem. É, sim, bonita. (E eu, não, não sou perfeita.)...Tenho de abrir as cortinas. Espero por um beijinho de bons dias, mas só ouço dizerem-me "já vem com o telemóvel na mão". Ainda resisto. Fico na cozinha, mas fraca. Dizem-me mais alguma coisa, mas, não ouço. Vou-me sentar na sala. À espera de acreditar um bocadinho na luz que vem de lá de fora. Não me respondes. Fico fraca. Continuo fraca. Volto a fechar os olhos.
Lavo a cara. O dia hoje não me pode comandar a mim. Amo-o, e por isso vou continuar com os olhos abertos, e acreditar no dia.
"Só queres um bocadinho de paz?" Só. Só quero um pouquinho de luz. Não é pedir muito... (Pelo menos, não hoje.) Não é pedir muito. Esquecemos a mensagem bonita. Esqueceste-a. E eu que me queria agarrar a ela. Para não chorar, para hoje ver as coisas que lá estão fora. E acreditar nelas.
Quando estou fraca, tenho de ir almoçar, enquanto te acalmo por escrito e te digo que sou tua. Não acreditas. Estou fraca, e digo que volto num instante. Sento-me à mesa e, não vendo pelos meus olhos que estou, fazem-me fraca, e confesso o que tenho no dia de hoje. Sim, tenho-o. Agora, tenho de parecer fria e calma, e feliz, e deixar de corar. Acabo de comer, o pouco que consegui. (Desta vez, nem elas repararam.) Levanto-me. Vou lavar a cara. Preciso de água. Preciso de água, e precisava de alma. Um bocadinho de luz. Só hoje... Hoje não vou aguentar muito tempo. Eu sei que não. Volto. A mesa está por arrumar, e tenho eu de a arrumar. Ela tem muito que estudar, e eu (não estou fraca, estou sempre saudável) arrumo.
Tenho de me lembrar de mim, e pego no computador porque tenho um texto para fazer. Para o jornal. (Mas por que raio tenho sempre eu, saudável, de ser a mais saudável e, compelida a transpôr a minha saúde para a folha, impregnar coisas de que não consigo ter o controlo.) Peço por inspiração. Enquanto que ele continua a apertar o meu coração, e eu a tentar parecer saudável. Peço, agora, e explicitamente, um pouquinho de amor. Já não vale a pena. Tudo está discutido, tudo está quebrado, e eu ainda me sinto a abrir os olhos para ter o dever cumprido. estou confusa. (fraca)
Acabei, depois, acabei. Metade do dia parece ter corrido em cinco minutos, os cinco minutos mais negros e obscuros, passados sozinhos numa cela de amor longínquo e de palavras medidas por força que já não tenho.
Assassinato de passados à vista. Eu teimo em não o fazeres, eu teimo em querer ter o passado presente como maneira de me reconhecer no mal. Acabas por não o fazer. Engulo em seco, quando te leio longe. O mais longe durante o dia todo. Banho. Água, ao menos, faz-me sentir viva. Ainda não chorei.
"Devias ler o que escrevi." Atiras-me contra a parede. Sento-me na cama, e engulo todas as lágrimas que querem sair. "I'm scared."
"Don't be."
Leio-te. Sinto saudades tuas. Finalmente, sinto que o dia vai valer a pena. Sinto-me perto do que amo, e longe da noite que passou, que ainda não tinha conseguido esquecer. Sinto-me viva. "Isto és tu..."
"I know. Estou de volta, amor."
Fazemos promessas de te oferecer essa coisa linda no dia dos teus anos. Amo-te, e acredito agora que só tu me consegues dar amor como eu te pedi há horas. Tu pedes-me que eu mude a tua vida. E eu assinto, dizendo que só sendo revolucionários, podemos sair finalmente do sítio onde estamos.
Chamam-me. E eu vou, sabendo que me esqueci de que tinha de sair. Despacho-me, e "Cola-te a mim, estás longe." Digo-te o que se passa, e que volto já. Afastas-te. Não me deixo ficar fraca. Sinto-te com brilho, e sei que te posso fazer viver.
"Durante um mês, não me podes tocar abaixo do pescoço. Está decidido." Tento explicar-te. E digo-te que estou bonita. ... Ouço tudo o que dizes, e insisto em lutar por nós. Deixei a manhã toda para trás, e todo os esforços em ouvir e engolir dentro desta casa, para te dizer que sou só tua. E sou-o. Desconfias. Afastas-te. Não reajes.
Fico fraca.
Tudo o que vem a seguir, é a pior hora do dia.
Se eu disser que o coração é venenoso, não estava fraca. O meu coração aperta o máximo aqui, sendo impulsionado depois por isto - para o chão.
Dizes-me que não entendo. Insistes em que eu não entendo. Eu, sem chorar, pergunto-te o que não entendo. E peço-te para mo explicares. Dás-lhe razão. Imploro-te que não o faças. Dizes-me que não fiz nada, que estás somente a reflectir. Imploro-te que não o faças. Dás-lhe razão, mais um vez. Em tudo. Ela, que tem razão em tudo o que diz. E eu, que tenho de transpôr os sonhos, as bocas, as ambições, os olhares à mesa, as estupidezes acumuladas que me fazem ter o medo tremendo do que estou a assumir, mas fico. Fico. E digo, e olho-os nos olhos. E tenho um orgulho tremendo de ti. Mas tu vais.
Choro. Largo o braço da minha mãe, e ando mais à frente, para que ela não se aperceba. "Está. Eu calo-me, não te quero magoar. E tenho de ir estudar, también. <3" Agora, que já o fizeste, tenho de continuar a acreditar no que faço, mas sozinha. E, no final de contas, não houve amor. Hoje. Não me deste uma pinga de Sol ou luz. E, eu, continuo fraca. Aqui, a escrever, mas a engolir as lágrimas. Acho que já não chorava há uns dias. Tenho de as engolir, contudo. Continuo fraca. (E sei que nem vais reparar. Que preciso de Sol, hoje.) Até à noite. Até amanhã.

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