domingo, 26 de junho de 2011

sms48

«I'll be here for you to fall asleep.

Não. Eu fico no quarto, vai tomar banho.
Vai. Eu vou dar de comer à Daisy.

Tomar banho, tá... Obrigada por ires.

De nada, ela também é a minha gatinha. Beijinho.

Eu... Ok, varanda. (... Inês fica à porta do quarto a olhar Eurípedes nos olhos até que Eurípedes fecha a porta e Gilberta...)

Não se toma banho na varanda.

Não vou tomar banho... Vou buscar leite à cozinha e fica na varanda, amor. Pronto...

Bem... Vou...

(Eurípedes fecha a porta a Gilberta...) Ouve-se, do outro lado da porta, Fa... Eu fico ali, amor... Até amanhã...

Boa noite... Espero que durmas.

Vou vindo aqui durante a noite. A ver se dormimos.

(Francisco apaga a luz e deixa-se cair na cama, envolto em lágrimas)

(Gilberta não consegue afastar-se da porta e Francisco ouve-a soluçar do outro lado)

(Eurípedes lê as mensagens de Gilberta desde o dia em que comprou o telemóvel novo)

(Gilberta não consegue pensar em nada para dizer a Eurípedes... Mas deixa-se arrastar pela porta até chegar ao chão.)

("Don't... I can't break... Move on with your life.", he texts to her.)

(God... Gilberta chora em desespero e corre para a casa-de-banho...)

(Eurípedes ouve o choro de Gilberta e sente-se a morrer. Não lhe quer mal. Levanta-se, e
destranca a porta.)

Eu é que não te quero o mal.

Hum-hum.

(Gilberta desiste de gritar de dentro da casa-de-banho e vai até ao quarto de Eurípedes. Deita-o na cama e cobre-o com os cobertores. Dá-lhe um beijo na testa e encosta a porta.) "Venho durante a noite. Dorme bem."

"Inês..."

(Gilberta abranda o passo e vira-se... Abre a porta...)

"Estou cheio de frio..."

"Estou a transpirar por todos os lados... E eu de calor."

"Devias ter ido tomar um duche rápido frio... Podes trazer o saco-cama para aqui?"


"Mas ir... Eu aguento dormir lá fora esta noite. Não te preocupes comigo... Eu..."
(silêncio)
"Vou trazer o saco cama. Fico aqui no chão, ao teu lado, durante a noite."

Eurípedes, contra toda a dor, puxa o braço de Gilberta e deita-a a seu lado, na cama. "Não te mexas, fica apenas aqui..."

(Caem lágrimas a Gilberta, mas Eurípedes não se apercebe.) "Momô, eu... Não me importo... Fico no chão esta noite. Tens frio? Vou buscar outro cobertor..."

"O tipo de frio que eu tenho, um cobertor não pode resolver... Preciso de ti. Descansa aqui." (Francisco suga, pateticamente, uma lágrima de Inês.)»

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